Um dia estava a passear pelas ruas de Lisboa quando paro num
café para lanchar. Surpresa a minha quando vi o grande político/escritor de seu
nome Manuel Alegre. Sim, ele mesmo autor de “Praça de Canção”, “O Canto e as
Armas”, “Alma” ou “Cão como nós…”. Sim, ele que foi candidata à presidência de
Portugal em 2006 ou que esteve exilado politicamente em Paris. Só que estou
aqui a palrear e ainda não contei o que aconteceu a seguir…
Então aproximei-me dele, toquei-lhe nas costas e ele
perguntou-me o que é que queria. Eu perguntei-lhe se ele me poderia dar um
autógrafo. Também perguntei se podia sentar-me na mesa dele e ouvir as suas
histórias mirabolantes e a sua imaginação… Então ele falou-me dos seus anos no
Académica FC, onde foi campeão de atletismo. Contou-me os seus tempos na escola
e como era o ensino, sempre com uma calma poética que se notava. Falou-me
quando entrou no grupo de alunos contra o Salazarismo e quando entrou no
Partido Comunista Português. Contou-me sobre a Guerra Colonial e da situação em
que foi preso pela PIDE. Quando me falou sobre a sua literatura, foi
espetacular. Parecia que tinha entrado mundo paralelo, onde a literatura sóbria
e correta fosse como o oxigénio que respiramos. Foi fantástico ouvir a sua
poesia, as suas ideias, tudo.
Então tive que sair daquela conversa, pois já anoitecia.
Apertei a mão a Manuel Alegre e cada um seguiu o seu caminho…